AVEM – Jornal Online

Jornal Online do Agrupamento Vertical de Escolas de Murça

O Desafio da Cidadania

Publicado por cticavem em 19 Agosto 2009

cgt1 Confrontado com o desafio colocado pela Associação de Estudantes do Agrupamento de Escolas de Murça, para escrever um pequeno artigo sobre o Conselho Geral Transitório e a minha experiência, enquanto presidente desse órgão, não deixei de pensar o quanto as gerações se têm alterado, e como os nossos jovens, se ouvidos e incentivados, se deixam fascinar pela cidadania e pelas questões das políticas públicas.

O acto de fazer parte de um órgão com a importância do Conselho Geral na escola actual é não só um direito, mas sobretudo um dever que toda a comunidade deve considerar como um valor inigualável.

A escola ocupa hoje um lugar na sociedade que não pode ser desconsiderado. A protecção de valores que induzam o caminho da transparência e da sinceridade, é cada vez mais um património que as comunidades devem almejar, visando o reforço de uma matriz cultural assente em princípios humanistas que devem alimentar e orientar as sociedades democráticas modernas. Neste contexto, a escola assume um papel extremamente relevante, que através dos seus órgãos traçam estratégias e orientações que podem fazer toda a diferença na comunidade.

O Conselho Geral é por excelência o órgão de administração e gestão, com atribuições estratégicas, responsável pela definição das linhas orientadoras da actividade do agrupamento, assegurando a participação e representação da comunidade. Trata-se de um órgão que deve desenvolver uma actividade crítica, constante, no sentido de perceber toda a envolvência, com a aspiração de ser motor na introdução de processos e dinâmicas alternativas e inovadoras, que puxem pelos vários pólos que compõem o nosso tecido social. O interior não pode obviamente ser esquecido. A participação dos alunos neste processo é por demais importante. O incremento do orçamento participativo, o plano anual e plurianual de actividades são dois documentos que podem incutir um sentido de pertença e de responsabilidade para a cidadania, que importa considerar.

A minha experiência como Presidente do Conselho Geral Transitório sintetizo -a, dizendo que, enriqueceu o meu ser. Destaco acima de tudo, a forma aberta e clara de cada um dos membros que dele fizeram parte: pelo sentido e empenho como agarraram o desafio e pelo facto de terem acreditado num pai para dirigir o órgão, rompendo com algo que há muito pouco tempo era impensável. Dando um sinal de que as realidades são mutáveis, e que podem transformar-se numa arma contra o comodismo e o desinteresse. No entanto, é também com base em experiências como estas que cada um de nós cresce, aprende e acima de tudo respeita e agarra aquilo que dá significado à nossa existência.

Mário Sampaio

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O Reforço das Lideranças nas Escolas

Publicado por cticavem em 19 Agosto 2009

Humberto Nascimento11 A escola portuguesa encontra-se numa fase de profundas alterações, que irão condicionar a sua actuação nos próximos anos. Um dos elementos legislativos que está na base dessas alterações é o Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de Abril. Fazendo uma análise genérica do documento podemos identificar que está organizado em função de três objectivos bem definidos: 1. «Reforçar a participação das famílias e comunidades na direcção estratégica dos estabelecimentos de ensino»; 2. «Reforçar a liderança das escolas» e 3. Reforçar a «autonomia das escolas» (preâmbulo do Decreto-Lei n.º 75/2008).

No passado dia 18 de Maio, o Conselho Geral do Agrupamento Vertical de Murça (AVM) procedeu à eleição do seu director, aspecto decorrente do segundo objectivo definido na lei. A figura do novo director apresenta diferenças marcantes em relação ao cargo de Presidente do Conselho Executivo. Enquanto que este chefiava uma equipa, o director é um órgão unipessoal coadjuvado por um pequeno número de adjuntos. De notar que, o Conselho Geral, não elegeu uma equipa, mas sim uma pessoa para dirigir o AVM nos próximos quatro anos. Salienta-se também o facto de no acto eleitoral não poder participar um universo mais alargado, como acontecia anteriormente. O Conselho Geral, é um órgão com vinte e um elementos, sendo a ele que cabe a tarefa de analisar os projectos de intervenção, os curricula e as entrevistas de cada um dos candidatos ao cargo de director (n.º 3, do artigo 7.º da Portaria n.º 604/2008, de 9 de Julho).

Os poderes do director são mais vastos que a figura que ele vem substituir, salientando-se o poder de nomeação dos coordenadores de departamento curricular, principais estruturas de coordenação e supervisão pedagógica, que responderão pela execução das linhas de orientação definidas pelo director. Num debate promovido no AVM, no início de 2008, defendi que me parecia que se exagerava nas atribuições previstas para o cargo de director. Hoje mantenho essa opinião, todavia, no espírito de quem legislou prevaleceu a necessidade de “criar condições para que se afirmem boas lideranças e lideranças fortes, para que em cada escola exista um rosto, um primeiro responsável, dotado da autoridade necessária para desenvolver o Projecto Educativo e executar localmente as medidas de política educativa” (preâmbulo do Decreto-Lei n.º 75/2008).

Uma coisa é o que a lei prevê, outras poderão ser as práticas que se virão a instituir. Quem faz a escola é todo um conjunto de partes interessadas, que vão desde os alunos, aos professores, aos pais e encarregados de educação, aos funcionários e à restante comunidade educativa. O director pode desempenhar um papel importante neste novo regime de autonomia e gestão dos estabelecimentos de ensino, no entanto, precisará do contributo de todos para que se possa atingir o verdadeiro desígnio do sistema educativo que consiste em “dotar todos e cada um dos cidadãos das competências e conhecimentos que lhes permitam explorar plenamente as suas capacidades, integrar-se activamente na sociedade e dar um contributo para a vida económica, social e cultural do País” (preâmbulo do Decreto-Lei n.º 75/2008).

Votos de um bom trabalho para o director eleito, que possa contribuir decisivamente, com o contributo de todos, para a melhoria do AVM.

Professor Humberto Óscar Parreira Nascimento

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Notícias de ex-alunos …

Publicado por cticavem em 18 Agosto 2009

Graça A.

alunos3 O meu nome é Graça e estudei desde o ensino básico (2.º e 3.º ciclos) ao secundário, na escola de Murça.

Recordo os meus tempos de secundário com alguma saudade, pois há coisas que ficam na memória e relembrá–las sabe sempre bem.

Sei que parte do que sou passou por aquilo que aprendi na escola, não só da leitura dos manuais escolares e trabalhos de casa, mas principalmente da relação directa estabelecida com colegas e professores. E da constante necessidade de responder aos desafios diários, da tentativa de aprender algo com eles.

Posso retirar, a título de conclusão, deste percurso, que temos que ver as coisas sempre como uma oportunidade e que cabe a nós mesmos decidirmos se a queremos aproveitar ou não.

Terminei o Ensino Secundário no ano de 2004 e, nesse mesmo ano, ingressei no Ensino Superior. Na Escola Superior de Educação do Porto, encontro-me a concluir o 5.º ano (Licenciatura Bi-etápica) do curso de Gestão do Património.

Estou a estagiar numa empresa de projectos artístico-culturais, enquanto trabalho em part-time, aos fins-de-semana. Em paralelo, e ao longo destes anos, tenho participado em várias actividades, tais como no voluntariado.

Não sei, nem posso adivinhar o que o futuro me reserva, mas encaro-o com optimismo e vontade de construí-lo. Trabalhar será uma das prioridades, mas sem deixar de lado o tempo de lazer e o divertimento, pois tudo se conjuga, quando repartido da melhor forma.

Aos alunos da Escola de Murça gostaria de desejar felicidades para a vida futura e que possam tirar partido de todas as situações bem como lutar por aquilo que acreditam.

Graça A.

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Notícias de ex-alunos …

Publicado por cticavem em 18 Agosto 2009

Tiago Ferreira

alunos2 CJ- Quando é que terminaste o 12.ºano?

T. F.- Terminei o meu 12.º ano no mês de Junho de 2006.

CJ- O que é que mais te marcou no teu percurso escolar nesta escola?

T. F. - Tudo o que vivi, por mais simples que fosse, me marcou. No entanto, de tudo que passei posso dizer que o dia em que fui eleito presidente da associação de estudantes e o dia em que  me confrontei com os resultados dos exames nacionais, me marcaram de uma forma especial.

CJ- De que é que não guardas saudades?

T. F. - Bem, não guardo saudade de todos aqueles professores que não conseguiram colmatar as minhas maiores dificuldades.

CJ- O que é que não voltarias a fazer se pudesses voltar atrás no tempo?

T.F. -Sem dúvida, que não voltaria a ver as aulas como aquele bloco de ‘seca’, mas sim como uma peça essencial para conseguir construir um futuro seguro e acreditem que me aplicaria muito mais. Não estou a tentar passar aquela imagem do rapaz que já cresceu e está a ficar homenzinho, mas sim a de um rapaz que já estuda há 3 anos na faculdade e sabe o quanto foi difícil remediar todas as falhas que criei ao longo da minha caminhada na escola. Tenho consciência de que a culpa não é somente minha, mas digo-vos com toda a certeza, que grande parte das dificuldades de aprendizagem que vivi e que ainda hoje vivo são culpa da minha preguiça e  da falta de vontade em querer saber. O bichinho da curiosidade é que nos torna mais inteligentes e habilidosos.

CJ- Ainda te lembras do teu primeiro dia de aulas do 5.ºano? O que é que guardas na memória?

T.F. - Infelizmente, não me recordo de muita coisa. A única lembrança que me vem à memória é a daquele nervoso miudinho por saber que iria viver uma experiência completamente nova daquela que foi a escola primária.

CJ- O que fizeste a partir do momento em que concluíste o 12.ºano?

T.F.- Confesso que saltei de alegria por ter terminado uma grande etapa, mas depois disso vieram as candidaturas, de seguida a faculdade e até hoje  estou a estudar na Universidade do Minho.

CJ- Que curso estás a frequentar?

T.F.- Estou a frequentar o 3.º ano da licenciatura em Engenharia Informática, na Universidade do Minho, em Braga.

CJ- O que esperas do futuro?

T.F.- Viver feliz para sempre, rodeado de filhotes (estou na brincadeira…).Sinceramente, não tenho nada definido, talvez uma vaga ideia, mas confesso que as alegrias e as tristezas com que nos confrontamos todos os dias tornam essas decisões cada vez mais complicadas. No entanto, independentemente daquilo que seja a minha decisão final, sei que se baseará em conseguir fazer chegar a todos aquilo que aprendi e ajudar a construir aquilo a que se chama de “um mundo melhor”.

CJ- Que conselho dás aos alunos desta escola?

T.F.- O mesmo conselho que todos vocês ouvem dos vossos pais e professores. Que se apliquem e vejam os livros e a escola como uma peça muito importante, para não dizer a mais importante, para conseguirem realizar os vossos objectivos. Não desviem o olhar só porque estão a ler aquilo que já estão fartos de ouvir, leiam as minhas palavras como as palavras daquele colega mais velho que, apesar da pouca experiência de vida que tem, é capaz de vos dizer que o mundo aqui fora não é aquilo com que sonhamos e que as dificuldades que vivemos aí,  existem em todo o lado.

O melhor conselho que vos posso dar é que sejam vocês mesmos e que vivam cada dia com a vontade de vencer. Não baixem a cabeça só porque existe um problema que parece ser impossível de ultrapassar. Até hoje não conheci nada que fosse realmente impossível. Lembrem-se de que tudo o que vivemos, seja bom ou mau, nos ajuda a crescer e aquilo que seremos amanhã depende somente daquilo que fizermos hoje.

Um grande abraço.

T.M. (CJ)

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Conversa com o Director do Agrupamento

Publicado por cticavem em 18 Agosto 2009

director1

CJ- Que perfil tem o novo director da nossa escola?

D- Perfil humanista, dialogante e, espero, mobilizador do melhor de cada um para o colocar ao serviço de todos, ao serviço do nosso agrupamento.

CJ- Para ser director tem que deixar de leccionar?

D- É uma decisão que terei de tomar. A lei permite-me leccionar uma turma. A complexidade do cargo, no entanto, exige muito tempo e energias. Como não quero prejudicar os alunos, receio ter de optar pela não docência.

CJ- O que valoriza no seu projecto?

D- O meu projecto valoriza os professores, os alunos, a autoridade e o respeito na relação pedagógica, a componente desportiva e a abertura do agrupamento às realidades culturais, científica, universitárias…

CJ- Mudanças, quais?

D- Reduzir a burocracia, responsabilizar directamente cada actor (professor, aluno, pai…), agilizar processos e procedimentos, aumentar a componente desportiva, criar eventos de aproximação entre os membros da comunidade educativa, envolver os alunos mais velhos no acompanhamento dos mais novos…

CJ- O que mais teme neste desafio?

D- Que o diálogo esmoreça e que a solidariedade e capacidade de entrega a uma causa comum deixe de envolver todas as nossas competências. Cada um de nós terá de estar profundamente vinculado a uma realidade de pertença (agrupamento).

CJ- Que lugar consagrará ao nosso jornal quando assumir o cargo de director?

D- Vejo o jornal “O Berrão” como o veículo necessário para transmitir a nossa realidade, ligando-a ao concelho. Isto só será possível reforçando a sua tiragem e trazendo até si, artigos e preocupações da própria comunidade.

CJ- O que fará pelos nossos professores?

D- Tudo o que puder. Como? Motivando-os, ouvindo-os, trabalhando ao seu lado, responsabilizando-os e fazendo-os sentir imprescindíveis neste processo sempre em construção que é o ensino e a educação.

CJ- E para os nossos alunos?

D- Os alunos precisam de gostar da escola, de a sentir sua. É importante criar espaços de convívio, dentro de fora das salas, dinamizados pelos próprios alunos. Tudo isto com plena assunção de regras de respeito mútuo. Por outro lado, e isto é muito importante, a escola deve existir para todos, bons e maus alunos, sem qualquer prejuízo mútuo. Não vou admitir que alunos mal comportados condicionem e prejudiquem efectivamente os alunos que querem trabalhar e têm objectivos a alcançar. Não podemos continuar a ser permissivos com alunos que já tiveram todas as oportunidades e receberam todo o apoio e que rejeitam qualquer mudança no seu comportamento.

CJ- Qual é a sua visão acerca desta reforma do ensino?

D- Sou muito crítico. Há mexidas a mais, intempestivas algumas, incoerentes outras, pouco articuladas quase todas. A necessidade de mostrar serviço, construiu alicerces frágeis, estruturas inseguras. Na educação as alterações devem ser poucas, lentas e envolver quem sabe da obra, ou seja, os professores. Como seria construir uma casa desprezando o saber dos engenheiros? Ou fazer uma intervenção cirúrgica expulsando os médicos do bloco operatório? É isto o que tem sido feito aos professores.

CJ- O que pensa dos professores do Agrupamento, que chefiará em breve?

D- Para mim são os melhores. É com eles que conto. Temos de potenciar as suas capacidades, diminuir as suas fragilidades. O ser humano é sempre passível de melhoria. Não devemos desistir dos nossos sonhos e de prosseguir o ideal de perfeição. “Que homem é aquele que não contribui para melhorar o mundo em que vive?”- frase do filme “O Reino dos Céus”- que tivemos oportunidade de ver no Ciclo de Cinema.

CJ- A juventude está perdida?

D- Nunca esteve, não está e nunca estará. A juventude é um conceito generalista. Há jovens responsáveis e outros que o são menos. Sempre foi assim. Uma coisa para mim é certa: não se constrói o futuro sem os jovens e o futuro será o resultado da acção dos jovens. Deitemo-nos pois ao trabalho que o tempo urge e há tanto a fazer!

CJ- Porque é que acha que o ensino caiu em descrédito?

D- Há política a mais no ensino. Há alterações a mais. Ouve-se pouco quem está no terreno. O ensino está, por vezes, à mercê de teóricos, homens e mulheres que não dão aulas há muito tempo e só conhecem os alunos através de filtros e preconceitos recuados os vanguardistas. Ensinar é uma obra de paciência, de vitórias e de derrotas. Queremos, com frequência, esconder as derrotas e não cuidamos suficientemente das vitórias. Parece que todos os problemas do país têm de ser resolvidos pela escola e na escola! Estranho, não acham?

CJ- É professor de História e ficará na História deste Agrupamento. O que pretende que se eternize?

D- Gostaria que se eternizassem a felicidade, a solidariedade, a partilha, a responsabilidade e, especialmente, a memória. Hoje, não temos memória da memória. Quem não tem memória vive à deriva, correndo o risco de ser fantoche de vontades alheias.

CJ- Que valores é que mais preza?

D- Trabalho, honra, dignidade, integridade, honestidade. Há mais; no fundo, todos os valores que agigantam a nossa humanidade e a vontade de partilhar o futuro.

CJ- Indique-nos aquilo de que nunca prescinde.

D- A luta pela verdade, pela dignidade, a defesa dos mais fracos, a defesa de todos os valores que indiquei e da matriz espiritual e cultural da vida humana, hoje tão pouco respeitada e valorizada. Somos muito mais do que aquilo que temos e do que compramos. Reparem: somos!

CJ- Sabemos que reside em Mirandela mas que já trabalha cá há muitos anos. Que significado tem Murça para si?

D- Gosto de Murça. Sou um privilegiado pois sinto-me em casa nos dois lugares. As pessoas desta terra sempre me trataram muito bem. Gosto também delas. Qualquer obra que eu possa fazer aqui é uma obra feita em casa.

CJ- O que é que o motivou a candidatar-se a este cargo?

D- A vontade de servir e de contribuir para o crescimento deste agrupamento. Já o fiz noutras e diversas funções, agora chegou a altura de ser com Director.

CJ- Como lida com o poder?

D- Com respeito e com desconfiança. Com respeito porque o poder é essencial na orgânica das nossas sociedades, com desconfiança porque não quero ser dominado por ele. Não quero esquecer nunca que ao meu lado, repito, ao meu lado, estão pessoas que comigo lutam para melhorar o nosso agrupamento.

CJ- Sabendo que o seu cargo acarretará uma responsabilidade acrescida, qual é a posição da sua família face a esta nova realidade?

D- Não me teria candidatado a esta nova função se não tivesse o apoio da minha família. Em todos os momentos da minha vida sempre o tive. Há uma profunda solidariedade entre nós. Falamos abertamente de tudo e as decisões são tomadas em grupo.

CJ- A História “passou à história”?

D- A História pode reflectir sobre ela própria mas isso não é uma forma de se ultrapassar. Não podemos e não devemos fugir da História. Anular o passado é impossível e não é conveniente fechar os olhos às realizações humanas, no que tiveram de positivo ou de negativo. Não querer aprender, achar que o futuro é algo de inteiramente novo, surgido do vazio ou do nada, é uma atitude pouco fundamentada. A História ensina-nos a ter cuidado com povos ou sociedades sem memória. Não cultivar a memória, não respeitar o esforço/ trabalho de todos os que viveram antes de nós, é malbaratar uma herança que altruisticamente nos foi doada, é sentirmo-nos Deuses quando, na realidade, nem homens pequenos somos.

CJ

 

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