De repente o comentário surge em jeito de pergunta “para que queremos nós os submarinos.!?”
Numa aula em que se falava da “Batalha Naval” travada principalmente entre americanos e japoneses nos mares e céus do Oceano Pacífico entre Dezembro de 1941 e Agosto de 1945 um aluno, representando talvez uma opinião corrente em Portugal, surge com esta pergunta/afirmação.
Não pude deixar de responder, ainda que eu próprio não tenha a certeza se Portugal necessita ou não de submarinos, e muito menos de quantos necessita ou necessitaria há no entanto, alguns aspectos que devem ser tidos em conta, quando falamos desta aquisição, por parte do governo português.
1º A compra dos submarinos nunca foi explicada por quem de direito; ou seja nunca foi dada uma justificação plausível para a compra de 2 submarinos, inicialmente eram 4;
2º A compra dos submarinos há muito que tinha sido decidida e, portanto, há muito que o Estado Português sabia os custos que isso importaria;
3º A compra dos submarinos não visa apenas objectivos militares. O conceito de defesa nacional estende-se hoje muito para além do conceito estrito de defesa militar propriamente dita. Aliás, é importante manter as Forças Armadas para defesa nacional, mas é muito mais importante mantê-las como uma forma de afirmação de Portugal no mundo e enquanto país independente e é nesta perspectiva que deve ser encarada a compra dos dois submarinos.
4º Sendo Portugal um dos países com maior Zona Económica Exclusiva, com uma vasta costa marítima compreenderemos facilmente que se justifica uma força naval forte para vigiar essa mesma costa. Mais uma vez, falamos do conceito de Defesa Nacional e é necessário, por exemplo, que Portugal não seja uma porta de entrada de droga, pois isso colocaria Portugal numa posição mais frágil nos palcos internacionais. É necessário vigiar a passagem de navios que transportem matérias radioativas, é necessário controlar a lavagem de navios em alto mar. Enfim, diminuir o perigo de marés negras que vemos surgirem um pouco por todo o lado.
5º Finalmente de referir, ainda, que a afirmação de Portugal no mundo se faz pela sua presença nas diversas organizações internacionais, seja na NATO, na União Europeia, ou mesmo na ONU e deve ser, nesta perspectiva ,que devem ser encaradas as sucessivas missões que as nossas Forças Armadas têm sido chamadas a concretizar um pouco por todo o mundo.
Queremos que fique muito claro que não sabemos se a compra dos submarinos era muito necessária, ou se deveríamos comprar outro tipo de equipamento, ou até mesmo se não deveríamos comprar nenhum, gostaríamos no entanto de chamar a atenção para o facto de que Portugal foi é e será sempre um país com uma forte ligação ao mar. Por isso, deve estar preparado para navegar.
Queremos ainda deixar claro que o conceito de Defesa Nacional deve ser entendido numa perspectiva mais vasta, de uma defesa dos produtos nacionais, pena é que quem nos dirige não nos dê fortes razões para sentirmos orgulho de ser Português (já agora, no Código de Barras alguém sabe quais os números que correspondem a Portugal).
Seria importante fazer sentir aos mais jovens que somos um país com uma longa história cheia de momentos gloriosos, que não devemos nem podemos esquecer. Gostaria ainda de lembrar que é em território português, que se situa um dos maiores portos de veleiros – na Horta e que Portugal produz alguns dos produtos mais famosos do mundo como, por exemplo, o vinho do porto.
Este conceito alargado de Defesa Nacional pode e deve ser entendido das mais diversas formas. Muito importante também dizer que há sectores da vida de um povo em que não devemos fazer contas de merceeiro, pois afinal o Homem é muito mais que o Homo economicus que hoje tanto domina a nossa vida social. O bem estar de um povo depende da sua qualidade de vida e esta não tem preço. Julgamos que a Defesa nacional está entre estes aspectos e é, nesse sentido, que deve ser encarada a compra de dois submarinos, por parte do estado português.
Felisberto Fontela
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