Repositório do Jornal do Agrupamento Vertical de Escolas de Murça em
Repositório do Jornal do Agrupamento Vertical de Escolas de Murça em
O final do ano lectivo aproxima-se, trazendo com ele a necessidade de reflectir sobre mais um ano, sobre as suas experiências educativas, relações humanas, novas realidades.
O Berrão já vai na terceira edição e constrói-se, cada vez mais, com matérias tratadas pelos jornalistas do Clube que ganharam um à vontade extraordinário para abordar todos os elementos da comunidade escolar no resgate de uma novidade, de uma possibilidade de reflexão.
É tão bom trabalhar com adolescentes! O desejo de tudo abarcar com suas mãos hábeis, a ambição de dominar temas e situações que os apaixonam ou desiludem, a vontade de tornar os acontecimentos em marcas das suas objectivas, o anseio de se aperfeiçoar, de ser maior do que ontem, de fugir ao redundante, ao medíocre, rasgam caminhos de verticalidade profissional a toda a equipa, enlaçam alegria e honestidade no trabalho, enfim, conferem dignidade a qualquer professor.
Desta vez, mantiveram-se apostas bem acolhidas pelos leitores das edições anteriores, como foi o caso das notícias relativas aos ex-alunos ou aos finalistas.
Tentou-se chegar mais longe no contacto com alguns entrevistados. Com a escritora Alice Vieira, experimentou-se a novidade ao entrevistá-la por email, evitando desse modo possíveis incompatibilidades ou, até mesmo, escusas decepcionantes.
Deu-se espaço a reflexões que partiram, por exemplo, da “Política” como tema privilegiado, respondendo ao desafio proposto pelo Jornal Público, no âmbito do concurso de jornais escolares 2008/2009. Desta feita, lançaram-se textos sobre as folhas que desenvolvem ideias sobre a sociedade democrática, a cidadania como desafio dos nossos dias, Deus e os políticos e educadores, a necessidade de dominar os outros ou a Europa.
Trabalhou-se no sentido de conseguir um jornal que desse à Escola e à comunidade onde esta se insere um retrato do esforço e do empenho dos seus elementos constitutivos, tendo o cuidado de valorizar sobretudo os alunos que a integram e que fazem dela uma escola melhor porque um lugar de diálogo. Porém, para que o jornal se torne num verdadeiro espelho é necessário ainda incrementar a participação de todos aqueles que dela dependem, todos os que nela se reconhecem pelas mais variadas razões. A consciência de que o jornal do agrupamento é uma aliança entre todos deverá desenvolver-se para o bem da comunidade educativa. Para aprender, ensinar, viver e conviver numa escola de qualidade é urgente continuar a fazer de O Berrão a marca do orgulho de todos.
Os jornalistas que terminam o 12º ano merecem muitas palavras de agradecimento pela dedicação demonstrada em todas as sessões do clube e por possibilitarem reconhecer e conhecer os outros através do seu trabalho.
Um bom final de ano lectivo para todos.
P.R.F. (CJ)
A substrutura de Língua Portuguesa organizou dois encontros neste terceiro período lectivo da actividade Chá com livros que decorreram, como habitualmente, na BE/CRE da escola, com um balanço francamente positivo relativamente ao interesse manifestado por parte dos alunos pela leitura recreativa.
O primeiro encontro, dia 22 de Abril, apresentado pela professora Palmira Guedes, contou com 13 participantes e títulos diversos. Foi muito o entusiasmo de todos perante as sucessivas apresentações e o chá quentinho com bolachinhas sortidas a acompanhar. As escolhas dos participantes recaíram em títulos e autores para todos os gostos e idades. Salienta-se a forte adesão dos alunos do 5º ano a esta actividade virada para a comemoração da leitura.
Desde A Ilha do Tesouro de Robert L. Stevenson , Quero ser Outro de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, As Andanças do Senhor Forte de António Mota , Crónica dos Bons Malandros de Mário Zambujal, Mafalda de Quino, Patrícia de Julie Campbell, Lágrimas Coloridas de Ana Macedo, Ganhei Milhões na Lotaria de Jerónimo Stilton, todos sugestões dos alunos, até Poemas de Mia Couto ou Seis Personagens à Procura de um Autor de Luigi Pirandelo, como propostas de professores, todos os leitores e leituras foram bem acolhidos e aplaudidos.
O segundo encontro, no passado dia 27 de Abril, foi apresentado pela professora Ana Arminda e teve exactamente o mesmo número de participantes. Também desta vez, treze leitores levaram trajectos de leitura aliciantes para partilhar com todos: o poema Os Putos de Ary dos Santos; Lua Nova de Stephanie Meyer; Moushi, o Gato de Anne Frank de José Jorge Letria; Sexta-feira ou a Vida Selvagem de Michel Tournier; A Fada Oriana de Sophia de Mello Breyner; Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco; O Egas Desarrumado de Jocelyn Stevenson, O Incendiário Misterioso de Maria Teresa M. Gonzalez, Os Intelectuais de Paul Johnson, Alforrecas da Vida de Guy Browning, Lágrimas Coloridas de Ana Macedo e Um Homem: Klaus Klump de Gonçalo M. Tavares.
Este último encontro não deixou de contar com música de fundo e, claro, o chá com bolachas que tanta alegria dá aos alunos e professores, trazendo à actividade o gosto pelo convívio e o bem-estar de todos. Pena foi que esta última sessão tenha coincidido com uma actividade no âmbito da Música, agendada para a mesma hora, que fez com que muitos dos alunos participantes tivessem que se retirar antecipadamente.
CJ
Em cada país existem datas significativas que marcam pontos de viragem para vidas novas e livres. Em Portugal esse ponto de viragem aconteceu em 1974 quando os militares de forma organizada e ordeira colocaram fim a um regime autoritário – o Estado Novo. Iniciou-se um novo período para o país do qual todos nós somos herdeiros, um país livre e democrático.
O 25 de Abril foi comemorado, na nossa escola, de uma forma inovadora e que vai marcar a sua história, para sempre. O Departamento de História com a ajuda da Professora Alcina de Educação Visual fez um mural sobre este dia tão importante para Portugal.
O esboço foi feito pela Professora de E.V. com características da vanguarda cubista e esta inspiração proveio da visita de estudo ao Museu Amadeo de Souza Cardoso e das correntes artísticas estudadas nas aulas de História e Educação Visual. Este mural pode ser visto numa das paredes exteriores do polivalente. Houve uma grande adesão dos alunos para a concretização desta pintura, pois todos queriam deixar uma marca, desde os mais pequenos do 5.º ano até os finalistas do 12.º B.
Este mural não foi a única actividade feita pelo Departamento de História. Ao longo da semana estiveram expostos no polivalente da escola trabalhos sobre o 25 de Abril acompanhados pelas músicas do mediático Zeca Afonso, particularmente a sua famosa “Grândola Vila Morena”.
C.F. (CJ)
Somos irmãs. Eu chamo-me Zhuwenwen e tenho 14 anos. A minha irmã mais velha chama-se Zhuyingying e tem 15 anos. Vivemos em Xangai até aos meus 13 anos e 14 anos da minha irmã. Chegámos a Murça em 2007 e foi por conselho de uma amiga da nossa mãe que conhecia bem Vila Real que ficámos a viver cá.
O Português é difícil, sobretudo compreender o que se diz. Mas para nós o mais difícil é falar. Também a leitura traz dificuldades. Desde o ano passado temos tido aulas de apoio com a professora Ana Arminda. Temos aprendido muito com imagens e textos.
Na China gostávamos muito de Matemática. Frequentámos a Escola Shimen em Xangai, em sistema de internato. Só íamos a casa no fim-de-semana. A nossa turma era muito grande, tinha 60 alunos mas aprendíamos tudo. Todos estavam atentos durante as aulas. As disciplinas do currículo da nossa escola em Xangai eram as mesmas. Tínhamos as mesmas disciplinas do que aqui e também diferentes professores. Todas as aulas duravam 45 minutos. Os intervalos eram todos de 10 minutos. A hora de almoço começava às 11h50m e a duração variava consoante era Inverno ou Verão. No Inverno a hora de recomeço das aulas era às 13h30m mas no Verão só se entrava às 14h00m pois como fazia muito calor, os alunos podiam deitar-se nos dormitórios e dormir um pouco. Cada quarto tem 4 beliches e também uma mesa e cadeiras. O edifício da escola é muito alto. Tem 6 andares, não é como as escolas portuguesas.
O horário em Xangai também era diferente dos nossos cá em Murça. De manhã as aulas começavam às 6h30m. A esta hora todas as turmas iam para o campo durante 30 minutos dançar e cada Director de Turma tomava conta de nós. Às 7h00m íamos para uma aula normal e tínhamos outros 30 minutos para lermos o livro que quiséssemos individualmente. Podíamos escolher a disciplina e a matéria que quiséssemos. Também se tivéssemos dúvidas podíamos chamar o professor para nos esclarecer. Terminado o tempo, íamos tomar o pequeno-almoço ao bar da escola. Havia sempre muita oferta: leite e pão com doce, sumos, chá (lá não comíamos pão com manteiga ou com fiambre!); legumes, carne frita, massa, arroz chau-chau, sopa, etc. Ficávamos com muita energia e vontade para aprendermos. Às oito horas começavam as aulas das várias disciplinas. Só terminávamos as aulas às 17h30m, já era de noite. Neste intervalo, às vezes, íamos para a biblioteca jogar no computador, passeávamos no parque que tinha lagos com peixinhos muito bonitos, íamos ler um livro no nosso quarto, podíamos ir jogar ping-pong, ir para o campo fazer outro desporto, ver televisão, etc. A seguir jantávamos, convivíamos com os outros colegas e recomeçávamos as aulas às 19h00m. Tínhamos duas aulas com o respectivo professor. Fazíamos fichas de trabalho sobre as matérias das diversas disciplinas. Agora gostamos de viver cá em Portugal. Somos felizes. Podemos dizer que gostamos tanto de estar cá como de estar em Xangai. Mas lá trabalha-se muito mais do que aqui. É diferente.
Zhuwenwen e Zhuyingying
Chamo-me Cindy Enes, tenho 17 anos e nasci em Neuchâtel, na Suíça. Tive a sorte de viver e estudar num dos lugares mais belos do mundo: todos os dias, quando saía de casa para ir para o liceu Jean Piaget via a Montanha do Jura e o maior lago suíço, o lago de Neuchâtel. Estive lá 16 anos com os meus pais e a minha irmã mais nova, Sabrina.
Quanto à escola, há algumas diferenças relativamente a Portugal. Na Suíça, no nosso horário escolar não há tanto tempo livre. Frequentei o 10.º ano, ainda em Neuchâtel, antes de vir para Murça e, nesse ano, entrava sempre às 8h15m, e saía às 12 horas. Voltava a entrar às 13 horas. Como a escola não tinha cantina, almoçava no centro comercial mais perto qualquer coisa rápida. Tinha apenas uma tarde livre, a terça-feira. Nas restantes tardes saía duas vezes às 15h30m, uma vez às 16h30m e, finalmente, a outra vez às 17h15m. Algumas vezes pedíamos aos professores, essencialmente ao de Contabilidade e ao de Inglês, para nos dar uma aula extra semanal, de 45 minutos. Quando o professor estava disponível, aceitava dar essa aula para tirar as dúvidas a um grupo de alunos mais necessitado.
Lá, os alunos não têm que pagar os manuais escolares, estes são gratuitos e fornecidos pelos professores na primeira aula das várias disciplinas. Assim, é muito melhor para os estudantes e para as suas famílias.
Quando fazíamos testes, eram os professores que nos davam a folha de teste. Cá, somos nós que temos que a comprar e ter a responsabilidade de nos lembrarmos dela. Também senti que cá há mais benevolência e lá, são mais exigentes. Por exemplo, no cumprimento de prazos para entrega de trabalhos, na minha escola, não havia uma segunda oportunidade. O aluno não cumpria, tinha zero. Os professores portugueses cedem mais, são mais humanos porém, levam os alunos a abusar por, exemplo, no pedido de adiamento de testes, na desculpabilização da não realização dos tpc, etc.
Outro dado diferente é que na Suíça só existem dois períodos lectivos. As aulas começam em meados de Agosto e terminam em finais de Fevereiro, terminando assim o primeiro período. O segundo período começa após duas semanas e termina em finais de Junho como em Portugal.
Enquanto que cá o trabalho dos alunos se concentra muitas vezes numa ou duas semanas, as semanas dos testes e da apresentação de trabalhos, lá o trabalho era mais repartido pelo ano lectivo. Todos os dias tínhamos que realizar tarefas: fazer uma ficha de trabalho, concluir exercícios práticos começados nas aulas, etc. Também não podíamos ter mais do que dois testes por semana e estes não podiam realizar-se em dias consecutivos, tendo que haver um intervalo de pelo menos dois dias entre eles. Acho que lá há mais organização. Mesmo as férias são mais distribuídas: duas semanas em Outubro para podermos vindimar; duas semanas no Natal; duas semanas no Carnaval que coincidiam com a passagem do primeiro para o segundo período; uma semana em Março para irmos para o campo de esqui e esta actividade era sempre organizada pela escola por isso havia um professor a acompanhar cada uma das turmas; duas semanas na Páscoa; e finalmente 6 semanas de férias de Verão. Havia esporadicamente paragens devido a feriados. As minhas férias preferidas eram sempre as de Verão pois vinha a Portugal ver a família e, claro, as férias no campo de esqui. Estas eram muito divertidas, permitindo aprender a esquiar com um professor da especialidade, conviver com os alunos da escola, fazer piqueniques, desfrutar da montanha, enfim, divertir-me. Estou cá em Portugal por decisão dos meus pais pois eles sempre quiseram regressar às suas origens. Sinto-me feliz cá em Murça e completamente integrada. Sinto que não perdi tudo ao vir para cá. Fiz muitos amigos.
Cindy Enes