Repositório do Jornal do Agrupamento de Escolas de Murça em
http://oberrao.eb23-murca.rcts.pt
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O Clube Escola Amiga da Arte continua a conseguir integrar e desenvolver projetos de alguma dimensão e impacto na vida dos alunos e da escola.
Na sala de Diretores de Turma surge um Douro, um Douro de socalcos, inventado, colorido e geometrizado.
É uma inspiração ver projetos destes concretizados e conhecer a tão elevada capacidade criativa e de trabalho destes alunos!
Os alunos estão de parabéns.
Professora Rosa Pais
Fotos: Artur Silva, 7ºC
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De repente o comentário surge em jeito de pergunta “para que queremos nós os submarinos.!?”
Numa aula em que se falava da “Batalha Naval” travada principalmente entre americanos e japoneses nos mares e céus do Oceano Pacífico entre Dezembro de 1941 e Agosto de 1945 um aluno, representando talvez uma opinião corrente em Portugal, surge com esta pergunta/afirmação.
Não pude deixar de responder, ainda que eu próprio não tenha a certeza se Portugal necessita ou não de submarinos, e muito menos de quantos necessita ou necessitaria há no entanto, alguns aspectos que devem ser tidos em conta, quando falamos desta aquisição, por parte do governo português.
1º A compra dos submarinos nunca foi explicada por quem de direito; ou seja nunca foi dada uma justificação plausível para a compra de 2 submarinos, inicialmente eram 4;
2º A compra dos submarinos há muito que tinha sido decidida e, portanto, há muito que o Estado Português sabia os custos que isso importaria;
3º A compra dos submarinos não visa apenas objectivos militares. O conceito de defesa nacional estende-se hoje muito para além do conceito estrito de defesa militar propriamente dita. Aliás, é importante manter as Forças Armadas para defesa nacional, mas é muito mais importante mantê-las como uma forma de afirmação de Portugal no mundo e enquanto país independente e é nesta perspectiva que deve ser encarada a compra dos dois submarinos.
4º Sendo Portugal um dos países com maior Zona Económica Exclusiva, com uma vasta costa marítima compreenderemos facilmente que se justifica uma força naval forte para vigiar essa mesma costa. Mais uma vez, falamos do conceito de Defesa Nacional e é necessário, por exemplo, que Portugal não seja uma porta de entrada de droga, pois isso colocaria Portugal numa posição mais frágil nos palcos internacionais. É necessário vigiar a passagem de navios que transportem matérias radioativas, é necessário controlar a lavagem de navios em alto mar. Enfim, diminuir o perigo de marés negras que vemos surgirem um pouco por todo o lado.
5º Finalmente de referir, ainda, que a afirmação de Portugal no mundo se faz pela sua presença nas diversas organizações internacionais, seja na NATO, na União Europeia, ou mesmo na ONU e deve ser, nesta perspectiva ,que devem ser encaradas as sucessivas missões que as nossas Forças Armadas têm sido chamadas a concretizar um pouco por todo o mundo.
Queremos que fique muito claro que não sabemos se a compra dos submarinos era muito necessária, ou se deveríamos comprar outro tipo de equipamento, ou até mesmo se não deveríamos comprar nenhum, gostaríamos no entanto de chamar a atenção para o facto de que Portugal foi é e será sempre um país com uma forte ligação ao mar. Por isso, deve estar preparado para navegar.
Queremos ainda deixar claro que o conceito de Defesa Nacional deve ser entendido numa perspectiva mais vasta, de uma defesa dos produtos nacionais, pena é que quem nos dirige não nos dê fortes razões para sentirmos orgulho de ser Português (já agora, no Código de Barras alguém sabe quais os números que correspondem a Portugal).
Seria importante fazer sentir aos mais jovens que somos um país com uma longa história cheia de momentos gloriosos, que não devemos nem podemos esquecer. Gostaria ainda de lembrar que é em território português, que se situa um dos maiores portos de veleiros – na Horta e que Portugal produz alguns dos produtos mais famosos do mundo como, por exemplo, o vinho do porto.
Este conceito alargado de Defesa Nacional pode e deve ser entendido das mais diversas formas. Muito importante também dizer que há sectores da vida de um povo em que não devemos fazer contas de merceeiro, pois afinal o Homem é muito mais que o Homo economicus que hoje tanto domina a nossa vida social. O bem estar de um povo depende da sua qualidade de vida e esta não tem preço. Julgamos que a Defesa nacional está entre estes aspectos e é, nesse sentido, que deve ser encarada a compra de dois submarinos, por parte do estado português.
Felisberto Fontela
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O assinalar deste dia teve como objectivo fundamental alertar a comunidade para a problemática do analfabetismo e, desta forma, salientar a importância do conhecimento (muito mais acessível pela leitura e escrita). Foi divulgada informação sobre o assunto e, aos alunos, que visitaram a BE/CRE ao longo do dia, foi proposta uma atividade de reflexão e escrita sobre a temática. A escrita concretizava-se num suporte de cartolina com as letras do alfabeto. Os alunos apreciaram a atividade e foram, no final, brindados com o produto do seu trabalho que depois de concluído teria a função de marcador de livros.
Dina Gomes, Professora Bibliotecária
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Quando generalizamos, corremos o risco de cometermos grandes injustiças. Hoje, tal como quando éramos crianças, os núcleos familiares são muito diversificados, daí, falar numa generalização tendo consciência de que nem tudo se pode medir da mesma forma.
Com muita frequência, faço reflexões sobre um assunto que me angustia, principalmente quando penso nas consequências futuras e que gostaria de partilhar convosco. Penso que ninguém duvida do grande amor que os pais têm aos seus filhos. Este amor faz com que tenhamos dificuldade em os ouvir chorar e fazemos tudo para lhes ver um sorriso no rosto. Quando são pequenos, fazemos-lhes as vontades todas para que não chorem. Quando entram para o Jardim de Infância, fazemos-lhes as vontades para que se sintam felizes. Quando vão para a escola, fazemos-lhes as vontades, porque estamos muito atarefados com o trabalho, os compromissos pessoais e dos nossos filhos. Quando vão para o segundo ciclo, sentimo-nos culpados pelo pouco tempo que temos para eles e então há que lhes dar o que querem para compensar. Os nossos filhos crescem sem terem noção da palavra não. Conforme vão crescendo começam a ter cada vez mais dificuldades em lidar com as frustrações, porque não estão habituados “a levarem um não”. Às vezes dizemos um não/sim, pois, inicialmente, dizemos não, mas porque não temos tempo para argumentação, esse não vira sim. Todos nós sabemos que, durante toda a nossa vida pessoal e profissional, vamo-nos deparando com obstáculos e temos que possuir capacidades mentais e emocionais para os superar. Desde bebés, é imprescindível que se apercebam da existência de regras que gerem as sociedades e, por consequência, os núcleos familiares. Essas regras e esses nãos transmitem uma segurança à criança que é um dos alicerces para um bom desenvolvimento. Como podem confiar nos adultos que mentem, pois num dia lhes dizem sim numa situação e noutro dizem não numa outra situação similar. Como podem confiar num adulto em que para os calar dizem que não os vão deixar para irem trabalhar e vão na mesma às escondidas. Como podem confiar num adulto que diz sempre sim, quando as próprias crianças têm inteligência suficiente para fazer chantagem com o adulto para obter o que quer. Que jovens e adultos vamos ter, que até têm boas notas, aparentemente até têm tudo e se suicidam, porque o namoro acabou, porque tiveram uma negativa e choram sem saber lidar com isso, metem-se na droga, porque se sentem incompreendidos, pois de repente o que era aceitável ainda a um adolescente deixa de o ser e eles não foram habituados a isso, não aguentam as exigências e a competitividade dos estudos e até do próprio trabalho laboral. Se dermos tudo hoje aos nossos filhos o que nos irão exigir amanhã. Será possível um ser crescer saudável sem conhecer o não quando na vida futura, se lhe deparam tantos nãos? Pensemos todos nisto, pois nós, pais, precisamos mais de ajuda do que críticas.
A Presidente da Associação de Pais do Agrupamento de Escolas de Murça
Clementina Borges
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Será legítimo falar de geração à rasca? Por vezes tenho algumas dúvidas. Só percebemos o quão bem estamos quando perdemos algo ou então por comparação. É isso que vamos fazer agora para perceber melhor o que é de facto crise ou dificuldades.
Pois bem, em crise, viviam os escravos romanos que tinham de alimentar os fornos que aqueciam as águas das termas que os senhores frequentavam;
Em crise, viviam os servos na Idade Média das margens do Loire que trabalhavam arduamente de sol a sol e comiam um pão mal amassado e mal cozido e dormiam no chão e a primeira noite era sempre para o seu senhor;
Em crise, viviam os adultos e as crianças nos séculos XVIII e XIX que famintos e com os pés molhados trabalhavam mais de 12 horas por dia, e a casa onde viviam não tinha água canalizada, não tinha esgotos, aquecimento…;
Em crise, viveram os judeus e os ciganos que foram perseguidos pelas forças nazis;
Em crise, viveram e vivem todos aqueles que vivem sob regimes ditatoriais, onde os direitos humanos são uma palavra vã;
Em crise, vivem as crianças que, nalguns países africanos, trabalham no garimpo sem quaisquer direitos e apenas com deveres e as crianças que nos países do Oriente continuam a cozer a bolas de futebol com que as crianças e adultos do Ocidente se divertem;
Em crise, vivem os refugiados nos diversos campos desde a África Oriental ao Norte de África;
Assim sendo, que dizer a um aluno que entra na sala de aula com uma série de instrumentos de utilidade duvidosa, nomeadamente, auscultadores, MP3, … afinal estaremos mesmo em crise?
É claro que sob o ponto de vista de alguns indicadores económico-financeiros, estamos em crise, visto que a economia não tem crescido. No entanto, a forma, como vivemos, nega essa ideia de que estamos a atravessar uma crise. Por vezes, temos até a sensação que se trata de uma forma de canalizar ainda mais riqueza para algumas parcelas da economia e finanças já de si fortes.
É claro que há muitas famílias com dificuldades e que o número dessas famílias tem vindo a aumentar e deverá aumentar nos próximos tempos. Por isso, mesmo se torna tão importante ensinar aos mais jovens a importância da poupança e sobretudo a leitura das condições contratuais sempre que se pede um empréstimo, e, de um modo geral, isso não é feito na Escola de uma forma sistemática, como poderia e deveria ser feito. A escola tem de deixar de ser um lugar de transmissão de uma série de lugares comuns e deve passar a ser um lugar de discussão, de reflexão e, acima de tudo, um lugar de trabalho em que os alunos que se empenham sejam recompensados pelo seu esforço pela sua dedicação.
A escola tem de passar a ser mais um lugar de ciência no sentido de poder ajudar os jovens a lidar com situações de crise como aquelas que estamos a atravessar. Afinal a geração “à rasca” são os pais que têm de disponibilizar os meios para satisfazer os caprichos dos filhos, os mesmo que se dizem geração “à rasca” e que penduram no ombro o PC, e nos ouvidos os auscultadores…
Felisberto Fontela
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